quarta-feira, 18 de agosto de 2010

MANIFESTO... falando sério

Pensei em publicar esta carta na universidade mas veremos...

Público este manifesto não de forma a levá-lo a uma instância superior desta universidade, mas de modo a conscientizar a todos que fazem, fizeram ou farão parte deste dilema ( sobre a ultima opção transcorrerei para que não aconteça), também não tenho somente como alvo os veteranos, pelo contrario, gostaria que o publico alvo desta carta fossem os calouros.
Sei que poderia me abster de publicar esta carta ou levá-la a conhecimento única e exclusivamente dos responsáveis por determinado ato, mas o que se mantém nos meus princípios, na minha moral e no meu conceito de ética me proíbem de concretizar quaisquer destas opções, e também não teria a mesma interferência que quero fazer no modo de pensar de cada um.
Previamente, para que não hajam mais “enrolações” elucidarei o fato, quero por meio deste manifesto levar cada um a analisar por completo o sentido do tão temido por muitos o “trote estudantil”, o que aparece por de baixo de uma pratica “arcaica” e por que não se dizer do “tempo das cavernas” não é uma imagem de uma singela representação de passagem da vida de estudante do colegial para o universitário, por trás disso ainda existe um ritual de dominação e em partes de humilhação.
Desde que conheci o jornalismo me interessei e decidi ter isso por minha vida, dar voz a sociedade, então por que me calar agora?. Deixar que outros se sintam como me senti não é algo que passe pela minha cabeça como algo normal, repudio minha própria atitude de me propor a fazer parte deste “ato” (como calouro, que fique claro), repudio a forma como fui conivente ao aceitar que fizessem comigo o que não quero fazer a outrem.
Me enchi de alegria e satisfação em fazer parte de um momento “social” que de humano não tem nada, isto até o momento em que minha razão falou mais alto, por que deixar alguém me sujar com pedaços de frutas podres? Qual o sentido para isso? O que há de social em fazer o outro se sentir diminuído e oprimido?, foi neste momento que me sai do papel de calouro, o qual eu mesmo me coloquei ao permitir que os outros fizessem de mim objeto de manipulação.
Não quero fazer com que veteranos se sintam insultados com isto, mas fazer com que os calouros tomem o conhecimento de que não há necessidade deste ato e que participar dele é tão estúpido quanto o fazer, um ritual abominável que só remonta os tempos de máfia onde determinado individuo era obrigado a passar por “experiências” insipientes para só então estar dentro do seleto “grupo”, e os que não o fizessem eram punidos com o rechaço destes.
Qual a positividade do trote?, simplesmente não há, esta imputado nesta palavra a idéia de dominação e desigualdade, de obrigação ou do contrario a exclusão, alguma destas opções parecem aceitáveis a você?, a mim não. Calouros merecem respeito e devem ter respeito a si mesmo e a sua dignidade, calouros não são “burros”, “burros” são aqueles que insistem em fazer da “desgraça” alheia sua diversão (e não se façam de inocentes).
Espero que todos tenham entendido o meu sentimento e minha indignação (em parte por minha culpa, por assim dizer) mas sobre tudo sobre o verdadeiro sentido do trote que é a dominação, se dê valor, dê valor a sua conquista, você é merecedor disto e não deve nada a ninguém.

ps. Aos que duvidam da minha capacidade, não, não usei o "gerador de lero lero" ¬¬.

Um comentário:

  1. é engraçado, apesar de fazer parte de um curso que, supostamente, forma intelectuais e pessoas de vanguarda, eu acredito na força da tradição.

    É isso que mantém povos unidos, constrói uma identidade para determinado grupo. óbvio que todos ritos devem passar por mudanças e precisam acompanhar as mudanças cronológicas necessárias.

    O Trote é deve ser encarado como uma espécie de ritual de passagem, onde você. deixa de ser secundarista para ser universitário. Tudo tem seu significado.

    claro que nada mais é como nas suas origens... 'Trote' é um passo do cavalo que não é nem o caminhar e nem a corrida... não é natural, é algo que se precisa aprender 'na marra'.

    Assim era em Portugal, as famosas caneladas e blá blá blá...

    Naquela época o significado era outro. Hoje, o trote tenta mostrar ao recém secundarista de que elw está em uma nova vida, um a nova selva.

    O banho sujo é uma forma de mostrar que sua condição social não importa. Que vc deve ir simples a faculdade para deixar salientar o que existe na sua cabeça. Suas ideias e tudo mais.

    A hierarquia na verdade é uma forma de se aprender a respeitar uma familia e de se entender que você está em um mundo onde exista segregações, divisões, e vc precisa saber como sobreviver a ele... e blá blá blá...

    O problema é quando as coisas saem do controle. Quando a 'vibe' passa de 'ensinar ao calouro o novo mundo' para 'vou humilhar o calouro'.

    Sou super a favor dos ritos, mas o que aconteceu nesta quarta (18) me deixou triste, frustrado e decepcionado.

    Imagino que a maioria dos calouros gostaram do pré-trote. Mas hoje tinha algo errado. A 'vibe' era outra. Tinha algo de submissão. Eu juro que fiquei receoso... mal consegui me divertir lá e sai no meio de tudo porque já não via sentido no que estava acontecendo...

    sai muito orgulhoso do pré trote. Acredito que ele cumpriu sua função e que ninguém ficou magoado e tantoas outras coisas. Mas hoje sai triste. Só espero, de coração, que as coisas possam se ajeitar daqui para frente.

    Ass. Jardel Arruda

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